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Adriana est artiste brésilienne qui vit et travaille à Sao Paulo. Sa pratique s’intéresse principalement à l’hommage et à la remémoration par l’entremise d’un travail à la fois minutieux , acharné et éphémère. Pendant sa résidence à Est-Nord-Est, elle s’est investie dans la collecte d’objets de toutes provenances. Au cours de ses nombreuses déambulations dans la nature comme au village, elle a collecté un nombre impressionnant de ce qui peut être qualifié d’artefacts : bouteilles, flacons, outils et cannes de conserve rouillés, boîtes métalliques, pierres, morceaux de bois, terre, sable, fumier, vieux meubles déglingués, etc. Aucune discrimination n’était faite parce qu’Adriana perçoit tous ces éléments comme autant de témoignages évoquant la vie, traces du passé, traces du présent, traces d’une histoire sur laquelle il est important de se pencher, de réfléchir, voire de se recueillir.

 

Le trésor était volumineux, la taille de ses trouvailles aussi dans certains cas et, après la collecte, est venu le moment de classer par taille, par couleur, par provenance, par type de matière. Parfois, les objets étaient disposés sous forme de micro installations très esthétiques, d’autres fois, ils étaient empilés pour créer des sortes de sculptures. Toujours, cet assemblage vibrait d’une énergie particulière, tantôt évocatrice d’une douceur désuète ou porteuse d’une étrangeté suggestive. Les formes ainsi créées pouvaient être organisées de manière très cartésienne ou donner l’impression d’avoir été placées de manière désordonnée et désinvolte, ce qui bien sûr n’en était rien.

 

Ayant ainsi constitué patiemment cette sorte de musée, occupant à lui seul deux ateliers et certains espaces communs d’Est-Nord-Est, Adriana s’est ensuite affairée à la préparation d’un cérémonial funèbre. Ces funérailles sont le point culminant de son projet. Les objets collectés seront amenés en procession quelque part, en un lieu où ils seront abandonnés. Ce dernier rituel funéraire, qui s’est déroulé sous une pluie battante, voulait donner une dernière fois à ces choses le pouvoir d’exister avant qu’elles ne tombent dans l’oubli. Pour Adriana, le fait de déplacer les choses est fondamental. C’est un acte d’amour qui permet de leur accorder de l’attention qu’elles n’ont plus. En donnant ainsi de l’énergie aux choses, comme on devrait le faire pour les gens, on leur accorde de l’importance, on montre que leur existence n’est pas vaine…

 

Procéder de la sorte avec les objets permet à Adriana d’interroger, par ricochet, les valeurs sociales de notre époque.

Adriana é uma artista brasileira que vive e trabalha em São Paulo. Sua prática se concentra, principalmente, em homenagear e recordar, através de um trabalho que é ao mesmo tempo meticuloso, difícil e efêmero. Durante sua residência no Est-Nord-Est, ela estava envolvida na coleta de objetos de diversas proveniências. Durante seus muitos passeios pela natureza ou pelo vilarejo, coletou um número impressionante do que pode ser descrito como artefatos: garrafas, frascos, ferramentas enferrujadas, bengalas, latas de metal, pedras, pedaços de madeira, terra, areia, estrume, móveis antigos, etc. Nenhuma discriminação foi feita porque Adriana percebe todos esses elementos como testemunhos a evocar a vida, vestígios do passado, vestígios do presente, traços de uma história para a qual devemos olhar, refletir e até, quem sabe, recolher e recuperar.

 

O tesouro era volumoso e, em alguns casos, o tamanho daquilo que encontrava também. Após a coleta, chegava o momento de classificar por tamanho, por cor, por origem, por tipo de matéria. Às vezes, os objetos eram organizados na forma de micro instalações muito estéticas, outras vezes eram empilhados para criar tipos de esculturas. Sempre, essa assemblage vibrava com uma energia particular, às vezes evocativa de uma doçura antiga ou portadora de uma sugestiva estranheza. As formas por ela criadas poderiam

ser organizadas de maneira muito cartesiana ou dar a impressão de terem sido colocadas de maneira desordenada e casual, o que obviamente não era o caso.

 

Tendo pacientemente construído esse tipo de museu, ocupando sozinha dois ateliês e algumas áreas comuns do Est-Nord-Est, Adriana trabalhou na preparação de um cerimonial fúnebre. Estes funerais são o culminar do seu projeto. Os objetos coletados serão trazidos em procissão para um lugar onde serão abandonados. Este último ritual funerário, que aconteceu sob uma chuva torrencial, queria

dar a essas coisas uma última chance de existir, antes de caírem no esquecimento. Para Adriana, mover as coisas é fundamental. Dar-lhes atenção é um ato de amor. Empenhar-se pelas coisas, como deveríamos nos empenhar pelas pessoas.

 

Dar-lhes importância, mostrar-lhes que a sua existência não foi em vão ... Tratar os objetos desta forma permite que Adriana questione, por vias tortas, os valores sociais do

nosso tempo.