Racionais e Sensíveis

o trabalho de Adriana Affortunati

 

 

“A experiência, a possibilidade que algo que nos passe ou nos aconteça...requer um gesto de interrupção... parar para pensar, para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, escutar mais devagar, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender opinião, suspender o juízo, suspender a vontade...cultivar a atenção...”    Jorge Larrossa

                                                                                                                                               

 

 

 

As palavras de Larrossa são a melhor maneira de descrever a sensação proporcionada pela obra O que me invento, 2008 de Adriana Affortunati. Um espaço que instiga a investigação, ele convida o observador a mexer em portas, gavetas e caixas, manufaturadas pela artista, contendo memórias de uma vida inteira.

 

A princípio, parece que elas estão ali para revelar a artista, mas quanto mais você mexe, mais percebe que tudo está escondido e mascarado. A impressão que terá acesso é só impressão. Um universo particular da artista, mas ao mesmo tempo não só particular, ele é também público. A sensação é que este lugar é de todos, como se não estivéssemos mais falando da Adriana e sim do homem e como ele traz para o mundo a sua vida.

 

A relação provocada pelo espaço nos remete a alguns conceitos próprios do ser humano como o sentir, a memória e a consciência. A construção, aparentemente aleatória, tenta organizar o caos destes conceitos como se pudessem ser compartimentados e segmentados.

 

Construção e reconstrução são palavras que estão muito presentes no trabalho desta artista, porque em todos os momentos ela re-significa, memórias, objetos e lugares. A partir destas reconstruções nos obriga a parar para olhar e pensar. Olhar mais devagar. Pensar mais devagar e nos abrirmos a experiência que a obra nos propicia, fazendo-nos lembrar que somos seres racionais e sensíveis ao mesmo tempo.

 

                                                                                                                                                          Anníbal e Branca 

 

 

 

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