A voz carnal dos tecidos

Falar do trabalho de Adriana Affortunati, para mim, é como descer a serra do mar, de forma cadenciada, quando a curva aumenta o desejo dos olhos, quando o abismo possui a gratidão das águas salgadas, quando tudo é verdejante e de um lampejo prata. Como não se deslumbrar com a ternura dos tecidos, com a entrega plena de delicadeza de cada costura, de cada rebarba, de cada fio que desfia, de cada mancha que se desmancha na sabedoria da cor?

Como não se deslumbrar com estes tecidos que foram feitos para os ouvidos, que começam e recomeçam o prazer de uma melodia, que fazem da pausa de uma dobra a infinitude afável do silêncio?

 (...)  Adriana soube reconhecer cada timbre, cada voz que se apodera da condição do inefável, a verdadeira condição da poesia...

Fico deverás curioso para desvendar as palavras bordadas, que ora sobressaem, ora se perdem nas tramas sonhadoras do tecido, uma vez que há palavras que são feitas para cintilar como um rio ou para desaparecer como a superfície de uma pedra coberta por limo.

Fabio Padilha

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                                                                               

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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