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2012. Alessandra Affortunati Martins

O ocre e suas diferentes tonalidades não são apenas cores nos trabalhos de Adriana Affortunati. Incrustados na obra, esses tons carregam resquícios da memória. Há certa viscosidade aderente nas lembranças da artista. Sendo quase uma espécie de betume amorfo que se alastra, suas reminiscências são arrancadas de seu corpo na medida em que se transformam em uma arquitetura da memória.

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2015. Renato Pera

Entretanto parece-me importante reconhecer um dado mais sutil, a possibilidade de um outro nível de significado mais fugaz, com o risco de não concretizar-se (basta um deslize mínimo), mas que, ao meu ver, é responsável por dotar as apropriações de objetos do mundo de qualidades poéticas. Os objetos – não eles por si próprios, mas o acúmulo deles – realizam a transição essencial entre os dois primeiros eixos e um eixo temporal. O “tempo” confere espessura à ficção. O “tempo” é o “corpo” da narrativa.
Um olhar excessivamente formal, exclusivamente dirigido para as modalidades artísticas, reduziria o interesse de seu trabalho, circunscrevendo-o por atitudes compositivas, superficialmente pictóricas.

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2016. Francesca Sassu

Il temperamento latino ed estroverso della italo brasiliana Martins l’ha sicuramente aiutata nell’avvicinare una comunità curiosa, ma poco avvezza a raccontarsi e farsi raccontare. Lei ha ascoltato e stimolato la narrazione, si è fatta guidare dal suo affetto per gli oggetti, dall’amore per i segni del tempo e la fisicità, dalla cura materna per ciò che le viene dato e dal desiderio di conoscere quanto di nuovo hanno da dirle gli oggetti e le persone che incontra.

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2017. Dominique Ulys

Ayant ainsi constitué patiemment cette sorte de musée, occupant à lui seul deux ateliers et certains espaces communs d’Est-Nord-Est, Adriana (...) voulait donner une dernière fois à ces choses le pouvoir d’exister avant qu’elles ne tombent dans l’oubli. Pour Adriana, le fait de déplacer les choses est fondamental. C’est un acte d’amour.

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2018. Francisco Rocha

Nos olhos de Adriana Affortunati, as mãos do tempo laboram a finitude das coisas. A artista espreita o trabalho da decomposição como quem contempla a verdade do mundo – o ser-para-a-morte – e deseja exibi-la.

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