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Ho conosciuto Adriana Affortunati Martins in Sardegna, nel corso di una residenza del programma PAS_Progetto Atelier Sardegna, che l’ha vista ospite per un periodo di due mesi nell’interno dell’isola, presso il piccolo paese di Nughedu Santa Vittoria.

Durante lo studio visit, sono rimasta colpita da uno dei primi lavori che Adriana mi ha mostrato: la serie fotografica “Testimone”, in cui è ritratta avvolta e travolta da un cumulo di lana di pecora che le era stato consegnato da un pastore locale, sin dai primi giorni del suo soggiorno sardo.

Mi ha raccontato che, quando l’ha ricevuto, ha iniziato a vestirsi con grandi pezzi di lana e a esplorare il materiale in un modo talmente naturale e istintivo da non temerne il contatto col suo corpo nudo. Un incontro-scontro che, a osservarlo bene, ci parla della curiosità e intima vicinanza che ha caratterizzato l’esperienza dell’artista in Sardegna.

Il temperamento latino ed estroverso della italo brasiliana Martins l’ha sicuramente aiutata nell’avvicinare una comunità curiosa, ma poco avvezza a raccontarsi e farsi raccontare.  Lei ha ascoltato e stimolato la narrazione, si è fatta guidare dal suo affetto per gli oggetti, dall’amore per i segni del tempo e la fisicità, dalla cura materna per ciò che le viene dato e dal desiderio di conoscere quanto di nuovo hanno da dirle gli oggetti e le persone che incontra.

Mi sembra di poter affermare che sono questi alcuni degli elementi ricorrenti nella sua pratica artistica, interessata a dare nuove forme a ciò che in passato viveva di una precisa funzione, e a scavare alla ricerca del bello in ciò che bello non è più, secondo chi lo vede (o non lo vede) ogni giorno.

Artista prolifica, generosa, femminile, non si risparmia nella sua produzione, qualora trovi un filone di ricerca che la stimoli e la animi. E in Sardegna l’ha trovato nell’abbandono di un paese che, in quanto a dinamiche di spopolamento, non smentisce, ma conferma ampiamente i dati preoccupanti dell’entroterra sardo.

Uno spopolamento visibile a occhio nudo, e Adriana l’ha tastato con mano, introducendosi nelle decine di case abbandonate che ha esplorato e mappato. E’ entrata dentro le ferite di Nughedu e attraverso percorsi pericolanti è andata a vedere cosa si poteva trovare nei fragili equilibri di muri scrostati e soffitti crollati.

In questo viaggio, lei trova degli oggetti, li raccoglie, li colleziona per serie e li associa assieme a decine di altri, secondo imprevedibili criteri.  Lascia le tracce del suo passaggio, creando quello che si può definire un progetto articolato e complesso che si è andato disegnando con l’intuito, l’empatia e la casualità.

Così i resti reperiti sul posto, ordinati su una tavola con rigore quasi matematico, ci appaiono come collezioni di preziose testimonianze del passato, da osservare e interrogare; due frammenti di mattone rosso agli estremi di uno stesso spago, accostati ad una semplice parola (“matrimonio”), acquisiscono un significato inatteso. Gli oggetti sembrano, per Adriana, avere una vita, sentire. Come il bordo di un muro sgretolato sopra il quale l’artista poggia un sottile strato di lana (“aveva freddo”).

E ancora, crea degli ambienti quasi teatrali, decisamente scenografici che danno una nuova vita allo spazio in senso non funzionale, ma simbolico.

Una cascata di piatti in una stanza dalle pareti azzurre (di cui la Martins ha sgretolato per giorni l’intonaco bianco per recuperare il colore originario) sembra cercare la luce proveniente dalla finestra e mostrarsi ai passanti nella sua situazione di crollo e decadenza.

In un vano di una casa abbandonata, gli arnesi reperiti frugando tra i detriti cessano di essere tali e diventano collezioni di forme arrugginite dal tempo. Disegnano una parete di cose utili quando non erano belle, e belle ora che forse sono inutili.

La Martins non ha voluto fare una denuncia di una problematica già profondamente sentita a Nughedu come in tutta la Sardegna, ma ha voluto entrarci dentro e compiere il suo personale passo in avanti per ricostruire nuove storie su quelle macerie.

Ha provato a chiedere al fruitore, e in particolar modo all’abitante, di osservare quegli oggetti e quei luoghi, come lei stessa ha saputo fare, anche in assenza di una loro attuale funzione: guardarli e pensarli per come sono, provare a smuoverli, spostarli, rimescolare le carte, in un gioco di libere associazioni improntato alla creazione di un nuovo futuro.

Ora quegli oggetti, che sono passati dal dimenticatoio, sono entrati in modo inedito nell’universo sensibile dei nughedesi, mentre Adriana è già andata via, alla ricerca di nuove forme e storie da modellare.

 

 

Francesca Sassu

Francesca Sassu è curatrice e manager culturale indipendente. Specializzata in Management dell’Arte.

 

 

 

 

 

Conheci Adriana Affortunati Martins na Sardenha, durante a residência do programa PAS_Progetto Atelier Sardegna, que a hospedou por um período de dois meses no pequeno vilarejo de Nughedu Santa Vittoria, no interior da ilha.

 

Durante o studio visit, um dos primeiros trabalhos que Adriana me mostrou, me impressionou/sensibilizou/afetou: a série fotográfica “Testemunho”, na qual se retrata envolta e enredada por um acumulo de lã de ovelha, que lhe foi entregue por um pastor local, desde os primeiros dias de sus estadia sarda.

Contou-me que, quando a recebeu, começou a vestir-se com grandes pedaços de lã e a explorar  materiais em um modo tão natural e instintivo que nem sequer temeu o contato com seu corpo nu. Um encontro-confronto, que observando de perto, nos fala da curiosidade e intima proximidade que caracterizou a experiência da artista na Sardenha.

 

O temperamento latino e extrovertido da ítalo brasiliana Martins certamente a ajudou à aproximar uma comunidade curiosa, mas um pouco aversa para contar-se e deixar-se contar. Ela escutou e estimulou a narração, se fez guiar pelo afeto aos objetos, pelo amor pelos sinais do tempo e a fisicidade, do cuidado materno por aquilo que recebe e pelo desejo de conhecer quanto de novo tenham para lhe dizer os objetos e as pessoas que encontra.

Acredito poder afirmar que são estes alguns dos elementos recorrentes na sua prática artística, interessada a dar novas formas àquilo que no passado vivia de uma precisa função e cavar à procura do belo naquilo que belo já não é, segundo quem o vê ( ou não o vê) todo dia.

 

Artista prolifica, generosa, feminina, não economiza em sua produção, a qualquer momento que encontre um eixo de pesquisa que a estimule e anime. E na Sardenha ela o encontrou no abandono de uma pequena cidade que, no que se trata de despovoamento, não desmente, mas confirma amplamente os preocupantes dados do interior sardo.

Um despovoamento visível à olhos nus, e Adriana tateou, introduzindo-se nas dezenas de casas abandonadas que explorou e mapeou. Entrou dentro das feridas de Nughedu e através de percursos perigosos, foi ver o que podia-se encontrar nos frágeis equilíbrios de muros em rueinas e tetos desmoronados.

Nesta viagem, ela encontra objetos, os recolhe, os coleciona por séries e os associa, junto à dezenas de outros, segundo imprevisíveis critérios. Deixa os rastros de sua passagem, criando aquilo que pode-se definir um projeto articulado e complexo que foi-se desenhando com o intuito, a empatia e a casualidade.

 

Assim os restos recolhidos no local, organizados sobre uma mesa com rigor quase matemático, nos aparecem como coleções de preciosas testemunhos do passado, para observar e interrogar; dois fragmentos de tijolo vermelho no extremo de um mesmo fio, encontrados/ próximos de uma simples palavra ( matrimonio) adquirem um significado inesperado.

 

Os objetos parecem, para Adriana, ter uma vida, sentir. Como a borda de um muro em destroços sobre o qual a artista apoia um sutil pedaço de lã (“estava com frio”)

E cria, ainda, ambientes quase teatrais, cenográficos certamente, que dão uma nova vida ao espaço, não no sentido funcional, mas simbólico.

Uma cascata de pratos num quarto com as paredes azuis ( que Martins descascou por dias seu gesso branco para recuperar sua cor original) parece criar a luz proveniente da janela e mostrar-se aos passantes na sua situação de colapso e decadência.

Num vão de uma casa abandonada, os instrumentos encontrados, enquanto fuçava ente os detritos, deixam de sê-lo para tornar-se coleção de formas enferrujadas pelo tempo. Desenham uma parede de coisas uteis quando não eram belas, e belas agora que talvez sejam inúteis.

A Martins não quis fazer uma denuncia de uma problemática já profundamente sentida em Nughedu, e em toda Sardenha, mas sim entrar dentro e cumprir o seu passo pessoal adiante para reconstruir novas histórias sobre aqueles escombros.

Tentou pedir ao expectador, e especialmente ao habitante, de observar aqueles objetos e aqueles lugares, como ela mesma soube fazer, mesmo que na ausência de uma atual função deles: observa-los e pensa-los como são, tentar desloca-los, misturar as cartas, em um jogo de livres associações propenso à criação de um novo futuro.

Agora, aqueles objetos, que passaram pelo esquecimento, entraram em um modo inédito no universo sensível dos nughedeses, enquanto Adriana já se foi, à procura de novas formas e historias para modelar.

 

 

 

Francesca Sassu

Francesca Sassu é curadora e manager cultural independente.